
O julgamento da morte de Diego Maradona teve um momento inesperado esta terça-feira, quando uma das testemunhas acabou detida por prestar falso testemunho.
Julio César Coria, guarda-costas encarregado da segurança no bairro de San Andrés, em Tigre, foi algemado e escoltado para fora do tribunal de San Isidro, depois de ser apanhado em várias contradições.
A ordem de detenção foi emitida pelos juízes Maximiliano Savarino, Verónica Di Tommaso e Julieta Makintach, após um pedido dos procuradores Patricio Ferrari e Cosme Iribarren, assim como do advogado das filhas de Maradona, Fernando Burlando.
Coria, que tentou reanimar Maradona antes da chegada das equipas de emergência, arrisca agora até dez anos de prisão por perjúrio.
Declarações que não batiam certo
Uma das principais inconsistências no depoimento de Coria foi a sua tentativa de negar qualquer ligação a Leopoldo Luque, o neurocirurgião e médico pessoal de Maradona. No entanto, provas apresentadas pela acusação mostraram trocas de mensagens entre ambos, incluindo convites para churrascos.
"Sinceramente, não me lembrava", justificou Coria ao ser confrontado com as evidências que desmontavam a sua versão.
Outra contradição envolveu Agustina Cosachov, psiquiatra de Maradona e também arguida no caso. Inicialmente, Coria não a mencionou entre os que participaram na reanimação do ex-jogador, mas depois mudou o discurso: "Agora lembro-me que Cosachov lhe fez reanimação. Não me devo ter lembrado na altura", afirmou, tentando explicar a omissão.
Negligência médica em tribunal
Sete profissionais de saúde enfrentam acusações de negligência na morte de Diego Maradona, que faleceu a 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma crise cardiorrespiratória. Se condenados, poderão cumprir penas entre oito e 25 anos de prisão. O julgamento continua e promete novos desenvolvimentos.
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