
O Fabril do Barreiro procura um entendimento junto do novo proprietário dos terrenos para continuar a utilizar o pavilhão Vítor Domingos e o Estádio João Pedro, encerrados temporariamente na manhã de hoje por decisão judicial.
“Houve uma boa vontade do novo proprietário, no sentido de permitir que tudo continue a funcionar com normalidade, pelo menos, até quarta-feira. Neste período, vamos tentar chegar a negociações para que as coisas regressem à normalidade e haja harmonia para trabalhar”, apontou à agência Lusa o presidente do clube do Barreiro, Pedro Miguel Lima.
Os dois espaços chegaram a estar encerrados por deliberação judicial, na senda de um processo interposto pelo proprietário dos terrenos, que tem em vista um projeto imobiliário.
Essa decisão afetava a prática desportiva de 600 jovens do Fabril, que, após sucessivas mudanças de nome, ‘herdou’ o legado da CUF, emblema histórico do futebol português, pelo qual passaram os ex-internacionais Manuel Fernandes, Carlos Manuel e Travassos.
“Nesta fase, prefiro ter o pensamento positivo de que nos vamos conseguir entender. No entanto, temos de pensar em planos B. Com a ajuda da Câmara Municipal do Barreiro ou de clubes da zona, vamos procurar encontrar uma solução para, pelo menos, acabarmos a época e, na próxima, pensar como nos vamos ajustar. Isto não é o fim do Fabril. Este é um clube centenário e temos de estar preparados para os próximos 100 anos”, afiançou.
O pavilhão Vítor Domingos concentra as equipas de hóquei em patins, judo e patinagem artística do Fabril, bem como as aulas de Educação Física do Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita, enquanto o Estádio João Pedro acolhe as camadas jovens do futebol.
“Se tivermos de sair, o espaço ficará vazio, porque não há qualquer projeto nem existe licenciamento aprovado na autarquia para fazer lá seja o que for. É sair para ficar vazio”, admitiu Pedro Miguel Lima, eleito na presidência do clube do Barreiro em abril de 2024.
As instalações pertenciam ao grupo Companhia União Fabril (CUF), mas o Fabril do Barreiro - designação adotada a partir de 2000, em sucessão do Grupo Desportivo da Quimigal -, tinha o direito de superfície para utilizá-las com fins desportivos por 50 anos.
“Há uns anos, uma entidade privada aproximou-se, no sentido de adquirir esses terrenos para a construção de uma academia internacional de futebol. O clube continuaria a usar parte dessa academia, com determinadas regras e horas, e até passaria a ser dono do Estádio Alfredo da Silva [onde joga a equipa principal de futebol]. Desse acordo, resultou um memorando de entendimento, que acabaria por ficar esquecido da escritura”, contou.
Assegurando desconhecer as razões desse desfecho, Pedro Miguel Lima diz que a atual direção do Fabril tentou “encetar negociações por todas as vias” com o proprietário, mas sem sucesso, cenário que precipitaria o fecho temporário dos dois espaços desportivos.
“Quando tomámos posse, procurámos sempre, com a mediação da autarquia, estabelecer um entendimento para que o clube continuasse a desenvolver as atividades, pelo menos enquanto não nascia o novo projeto desportivo. Só que a outra parte não quis reconhecer esse acordo e fez executar a escritura”, juntou, apelando ao “bom senso” do proprietário.
O clube da margem sul do rio Tejo foi fundado em 1928, sob influência da CUF, e logrou notoriedade desportiva nas décadas seguintes, mas quebrou após o 25 de abril de 1974, com a nacionalização de várias empresas de um dos maiores conglomerados nacionais.
Em 1939, o ciclista Joaquim Fernandes arrebatou a Volta a Portugal em bicicleta com a camisola da CUF, que, no hóquei em patins, se sagraria campeã nacional em 1964/65.
Já no futebol, o atual 12.º e antepenúltimo classificado da Série D do Campeonato de Portugal, quarto escalão nacional, teve 23 presenças na elite, com estreia em 1942/43 e despedida em 1975/76, jogou nas provas europeias e lançou algumas antigas figuras da seleção principal lusa, conquistando a II Divisão em 1953/54 e a Taça Intertoto em 1974.
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