O candidato da lista B às eleições do Vitória de Guimarães, António Miguel Cardoso, espera que o treinador Luís Freire oriente a equipa principal de futebol no próximo mandato, até 2028, sempre “alinhado com a estratégia” dos minhotos.

Prestes a concluir o primeiro triénio como presidente, em que a formação da I Liga portuguesa teve nove treinadores, incluindo os interinos João Aroso e Rui Cunha, o sócio número 4.530 dos vitorianos rejeita, em entrevista à Lusa, que as mudanças técnicas sejam inevitáveis e mostra-se agradado com o “perfil muito positivo” do ‘timoneiro’ de 39 anos, apresentado em 15 de janeiro de 2025.

“Gostava muito que fosse o treinador do próximo mandato, seja comigo, seja com outra direção. Tudo vamos fazer para que isso aconteça. (…) Estamos contentes com a forma de liderar, com a forma de dialogar com a direção, com a forma de estar totalmente enquadrada na estrutura que já existia no Vitória”, diz o candidato às eleições de sábado.

António Miguel Cardoso afirma que só dois técnicos saíram por não estarem interligados com o que considera a “estrutura forte e organizada” dos vitorianos, numa alusão ao brasileiro Paulo Turra e ao português Daniel Sousa, antecessor de Luís Freire, nomes já mencionados publicamente.

“O treinador é a ‘peça’ provavelmente mais importante numa equipa de futebol. No Vitória, é importante que esse treinador esteja alinhado com a estratégia do clube. Independentemente das saídas que tivemos, fomos sempre tendo a capacidade de ter sucesso”, completa.

Após um triénio em que destaca o recorde absoluto de 63 pontos na I Liga portuguesa, a valer o quinto lugar na época 2023/24, e os três apuramentos seguidos para a Liga Conferência, o candidato da lista B espera que os vimaranenses prossigam além dos oitavos de final na prova europeia, se classifiquem, pelo menos, em quinto lugar no campeonato e vençam uma Taça de Portugal até 2028.

“Queremos continuar a ter qualificações europeias e a ter cada vez melhores campanhas na Europa. (…) Queremos também, na Taça de Portugal, fazer cada vez melhor. Fizemos umas meias-finais no ano passado [2023/24]. Queremos finais, queremos vencer finais”, perspetiva.

Ciente de que a presente campanha europeia, com 10 vitórias e dois empates, contribuiu para uma receita bruta recorde de 34 milhões de euros no ‘mercado de inverno’, com sete saídas e cinco entradas, António Miguel Cardoso diz que “não tinha outra hipótese” a não ser “restruturar” o plantel em janeiro, mas rejeitou que a operação se tenha de repetir nas próximas épocas.

“O ideal é fazer as tais vendas no final da época desportiva. É muito mais fácil, muito mais seguro e traz mais estabilidade. Não aconteceu dessa forma. Aconteceu nesta altura. Tivemos de restruturar e bem”, afirma.

O candidato, de 48 anos, é também o presidente do conselho de administração de uma SAD que, em 31 de dezembro de 2024, contabilizou um lucro semestral de 2,8 ME, apresentando um passivo de 71,7 ME e um capital próprio negativo de 28,4 ME (falência técnica).

António Miguel Cardoso explica os números com a ausência de receitas de direitos televisivos ao longo do mandato, fruto de adiantamentos prévios, com a amortização do negócio com o FC Porto em 2021, que visou a compra de Francisco Ribeiro e Rafa Pereira por 15 ME e a venda de Romain Correia e João Miguel Mendes aos ‘dragões’ pelo mesmo valor, e com os juros de quatro ME pelos empréstimos em curso.

À espera de “valores bastante positivos” no final da época 2024/25 e de um passivo inferior, embora sem o estimar, o candidato frisa que o Vitória está “a começar a inverter” uma situação financeira que contribui para o bloqueio da UEFA à parceria com o V Sports, fundo que detém os ingleses do Aston Villa e 29% do capital da SAD vimaranense.

“A UEFA entende um empréstimo direto do V Sports ao Vitória como uma forma de poder controlar a área desportiva e outras áreas. É isso que a UEFA não quer, dado que o V Sports também é proprietário do Aston Villa”, explica.

O presidente em funções crê ainda que o V Sports pode ajudar os minhotos a contraírem “um empréstimo de médio a longo prazo com taxas mais baixas”, no âmbito da restruturação da dívida, e defende que a aposta na formação é a solução mais adequada para défices orçamentais recorrentes.

“A resolução de um problema que vem de trás acontecerá quando o Vitória tiver a capacidade de ter 50 ou 60% dos jogadores vindos da base. (…) Quando acontecer, sendo nós competitivos como temos de ser, as coisas vão-se inverter”, projeta.

Se for eleito para o triénio entre 2025 e 2028, António Miguel Cardoso espera concluir as obras do miniestádio com relva natural na academia existente, para jogos da equipa B e equipa feminina, construir um outro ao lado, com relva artificial, e avançar com a nova academia, para acomodar o futebol profissional, bem como os escalões sub-19 e sub-17.