O FC Porto vai testar a retoma com o treinador argentino Martín Anselmi no domingo, recebendo o Benfica no clássico da 28.ª jornada da I Liga de futebol, apelidado pelo presidente André Villas-Boas como o jogo da temporada portista.

Vindo de duas vitórias consecutivas, o melhor ciclo em três meses na prova, o terceiro colocado abordará o embate frente às ‘águias’ com a tripla perspetiva de diluir distâncias para o topo, acalentar esperanças no acesso à Liga dos Campeões e continuar no pódio.

O FC Porto tem os mesmos 56 pontos do Sporting de Braga, quarto classificado, ambos fora da zona de entrada na principal competição europeia de clubes e a nove dos rivais lisboetas Sporting e Benfica, empatados na frente, com vantagem no confronto direto e na diferença de golos para os ‘leões’, anfitriões dos minhotos na segunda-feira.

Depois de ter perdido em Braga (1-0), na 25.ª jornada, a equipa de Anselmi reergueu-se frente ao AVS (2-0), no primeiro triunfo caseiro em 2025, antes de derrotar fora o Estoril Praia (1-2), na sequência da última paragem do campeonato para as seleções nacionais.

Essas últimas exibições atestaram um plantel mais entrosado com as ideias do treinador argentino, que tem apostado numa estrutura tática com três defesas centrais desde que deixou os mexicanos do Cruz Azul em janeiro, rendendo Vítor Bruno, devoto do ‘4-2-3-1’.

Além da adaptação do médio canadiano Stephen Eustáquio, o eixo defensivo passou a incluir o espanhol Iván Marcano, que esteve mais de 17 meses ausente da competição, devido a lesão, mas deu experiência a uma equipa propensa a erros comprometedores.

Na frente, a coexistência de Fábio Vieira, aliado do médio argentino Alan Varela, com o brasileiro Pepê e Rodrigo Mora tem elevado a fluidez ‘azul e branca’, ainda que pouco aproveitada pelo ponta de lança espanhol Samu, autor de apenas três tentos em 2025.

O FC Porto chegou a abril só com sete rondas por disputar, após as ‘quedas’ na quarta eliminatória da Taça de Portugal, nas meias-finais da Taça da Liga e no play-off da Liga Europa, a última com Anselmi, que tenta minorar danos no ano zero da presidência de André Villas-Boas, iniciada com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira frente ao Sporting, mas afetada pelos entraves herdados da gestão do já falecido Pinto da Costa.

Para já, o argentino não melhorou o terceiro posto ocupado pelo FC Porto aquando do despedimento de Vítor Bruno, que tinha visto a equipa desperdiçar as hipóteses de se isolarem na frente na terceira jornada e na viragem da primeira para a segunda voltas.

A derrota fora perante o Gil Vicente (3-1), na 18.ª ronda, precipitou a troca técnica, cuja transição interina foi feita pelo diretor da formação do clube, José Tavares, sem que os ‘dragões’ evitassem uma fatal série de cinco encontros sem vencer na I Liga, a primeira desde 1981/82, que começou em Vítor Bruno e cessou à terceira partida com Anselmi.

O jogo da época ‘azul e branca’ profetizado por André Villas-Boas dá a última hipótese ao FC Porto de ganhar um clássico na edição 2024/25 da prova - tem duas derrotas e um empate -, além de se desforrar da goleada na Luz (4-1), na 11.ª jornada, que permitiu ao Benfica marcar quatro golos ao seu rival para a I Liga pela primeira vez desde 1964/65.