
Ainda não foi desta que vimos um Sporting por inteiro. A bipolaridade verde e branca voltou a fazer-se sentir em Barcelos, mas desta feita invertida em relação aos últimos jogos.
A primeira parte foi de uma apatia confrangedora por parte dos campeões nacionais, e que só não teve consequências mais graves devido à ineficácia de um Gil Vicente que se mostrava muito confortável no jogo, capaz de anular facilmente as iniciativas ofensivas do adversário, e ameaçar realmente as suas redes; aí valeu Rui Silva ao Sporting, que manteve a sua baliza inviolável até ao intervalo.
Na segunda parte chegou Gyokeres e o Sporting melhorou instantaneamente (seria difícil piorar); apesar de não ter estado em particular evidência, a presença do sueco em campo modificou por completo o jogo, e foi dele que partiu a assistência para o golo.
À vantagem no marcador juntou-se a vantagem numérica, fatores que poderiam indicar um final de jogo tranquilo para os verdes e brancos; contudo, e como também tem sido hábito, o Sporting tratou de complicar a sua vida, permitindo um golo nos minutos finais, que só não se traduziu em prolongamento por meros três centímetros.
Com a sorte que lhe faltou em jogos recentes, o Sporting chega às meias-finais da Taça, onde vai ter agora pela frente um duplo confronto com o Rio Ave.
O jogo: Contar até três e respirar fundo
As várias ausências obrigaram Rui Borges a improvisar mais uma vez. Sem Diomande, foi Ricardo Esgaio quem compôs o trio de centrais; mais à frente, Conrad Harder tomava o lugar de Gyokeres.
Mas se quisermos falar da primeira parte do Sporting, não podemos olhar lá para a frente, nem que seja pelo facto dos leões nunca lá terem chegado com o menor discernimento.
Antes olhemos para Rui Silva; nos primeiros 45 minutos, o guarda-redes leonino teve uma boa dose de trabalho para manter as suas redes invioláveis. Aos dois, e aos 33 minutos, o guardião evitou o golo do Gil Vicente com duas boas defesas, tendo ainda visto o remate de Zé Carlos rasar a sua barra.
O Sporting tinha mais bola, mas era o Gil quem jogava; bem compacto e organizado, o bloco gilista neutralizava facilmente as tentativas de desenho ofensivo dos leões, lançando depois rápidas transições para o ataque, quase sempre sob a batuta de Félix Correia.
Dizer que, ao intervalo, o nulo era lisonjeiro para o Sporting, é paradigmático daquela que deverá ter sido a pior primeira parte dos leões esta temporada.
Perante a letargia da sua equipa, Rui Borges deu um valente puxão de orelhas no balneário e lançou Gyokeres em jogo. A verdade é que os leões entraram diferentes na segunda parte, já com pulso e a pressionar o adversário em zonas altas do terreno.
Lá à frente Gyokeres dava finalmente trabalho aos defesas gilistas e abria espaços para os colegas. E foi precisamente num desses lances que surgiu o golo da vitória verde e branca. O sueco é lançado na esquerda, contemporiza e encontra Zeno Debast em carreira de tiro; com a bola a pedir tiro, o belga encheu-se de fé e disparou para o fundo das redes gilistas, contando ainda com a ajuda preciosa de Castillo.
Em vantagem no marcador, os leões continuaram por cima e mantiveram a pressão, colecionando boas oportunidades para ampliar o marcador, negadas sempre por Brian. A juntar à vantagem no marcador, a equipa de Alvalade passou também a ter vantagem numérica a partir dos 73 minutos, quando Zé Carlos viu o segundo amarelo...tudo resolvido? Assim parecia.
Contudo, e no que toca à gestão de vantagens, nunca se pode assumir nada quando se trata do Sporting. É verdade que os leões não recuaram e continuaram a controlar a partida, impedindo o Gil Vicente de criar perigo; mas num lance fortuito aos 88 minutos, os campeões nacionais iam deitando tudo a perder.
Cruzamento de Félix Correia na direita para Ruben Fernandes que, inexplicavelmente, cabeceou à vontade para o fundo das redes leoninas. Todavia, e quando já se antecipavam mais trinta minutos de futebol, eis que o golo foi anulado por fora de jogo do capitão gilista...por meros três centímetros.
O leão respirou de alívio e passou assim às meias-finais da Taça de Portugal, onde vai encontrar o Rio Ave, em duas batalhas por um lugar na final do Jamor.
O momento: Bomba belga
Corria o minuto 68, o Sporting dominava a partida, agora com mais acutilância ofensiva. Gyokeres foi lançado pela esquerda mas, ao contrário do que é costume, não partiu em diagonal para a baliza. O sueco levantou a cabeça e encontrou Debast sozinho em zona central; o belga encheu-se de pé e encheu o pé para um golaço, que contou ainda com a contribuição decisiva de Castillo.
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O melhor: Simply Debast
Num jogo onde o Sporting mostrou duas faces bem diferentes, Zeno Debast foi dos únicos que conseguiu manter alguma estabilidade exibicional. Mesmo na primeira parte, onde coletivamente os leões estiveram muito abaixo do normal, o belga foi sempre o mais esclarecido, fosse a construir desde trás, fosse a tentar travar as iniciativas ofensivas do adversário.
A boa exibição do jovem belga foi coroada com o golo da vitória, obtido da única forma que Debast parece conhecer de chegar ao golo: à lei da bomba.
O pior: Primeira parte penosa
Durou metade do jogo é certo, mas foi suficientemente penoso para cair nesta categoria. Não é possível distinguir um elemento 'menos' no Sporting dos primeiros 45 minutos, dado a total letargia da maioria da equipa, com a exceção de Rui Silva e Debast.
A primeira parte dos leões em Barcelos foi um autêntico deserto de ideias na hora de atacar, e uma série de sobressaltos na hora de defender. De tal forma que, não fosse a inspiração de Rui Silva, e os campeões nacionais teriam ido para os balneários em desvantagem.
Na segunda parte a equipa melhorou (dificilmente poderia piorar), marcou mas, mais uma vez, voltou a adormecer nos minutos finais, e livrou-se de um prolongamento por míseros três centímetros.
O que disseram os treinadores
José Pedro Pinto, treinador do Gil Vicente
Rui Borges, treinador do Sporting
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