Portugal vai apresentar em Tóquio2020 o maior número de mulheres de sempre, 36, nuns Jogos Olímpicos em que se pretende promover a igualdade de género, na terceira maior missão de sempre, igualando os 92 atletas do Rio2016.

Só em Atlanta1996, com 107 representantes – incluindo a seleção de futebol, de Dani, Nuno Gomes e Beto -, e Barcelona1992, com 101, superam a dimensão das últimas missões de Portugal. Em ambas contavam-se 24 atletas do sexo feminino.

A caminho da igualdade plena pretendida pelo Comité Olímpico Internacional (COI), a atingir em Paris2024, Portugal apresenta 39,1% de mulheres na delegação, ligeiramente abaixo da percentagem de quotas atribuídas no conjunto das 33 modalidades em competição (48,8%).

A mais igualitária representação portuguesa foi a presente em Londres2012, com 42,1% da seleção a ser composta por mulheres – eram 32 e 44 homens -, superando largamente as comitivas femininas em Pequim2008 (33,7%) e Rio2016 (32,6%).

Portugal não se fez representar por mulheres em 10 das 24 presenças olímpicas, cabendo a estreia, após a II Guerra Mundial, sete participações e mais de meio século de presenças, a Dália Cunha, Natália Cunha e Lurdes Amorim, em ginástica artística, em Helsínquia1952 - Maria Luísa Villalva tinha sido convocada, mas os pais não a deixaram competir.

Nos Jogos seguintes, em Melbourne1956, com 12 atletas, Portugal voltou a ficar em ‘branco’ no setor feminino, o mesmo aconteceu em Munique1972 e Montreal1976, com comitivas de 29 e 19 elementos, respetivamente.

Ao todo, nos 739 atletas que na história vestiram Portugal em Jogos Olímpicos 623 foram homens e 116 mulheres, 15,7% do total.

Destaca-se o atletismo com 46 competidoras em 166, seguida da natação com 18 em 74: em ginástica verificou-se a exceção, com 15-14 favorável ao sexo feminino, enquanto a igualdade se registou no ténis de mesa (3-3) e voleibol de praia (2-2).

Tal como renovar os Jogos em termos de modalidades para os aproximar dos jovens das comunidades urbanas, com a aposta no skate, surf ou escalada, a igualdade de género é um dos grandes compromissos do COI.

A luta contra a desigualdade de tratamento, a diversos níveis, visa também, por exemplo, evitar situações como a registada em Londres2012 quando a seleção japonesa de futebol feminino viajou em classe económica, enquanto a masculina o fez em executiva.

Desde Sydney2000, Portugal apresentou sempre missões com mais de sete dezenas de atletas, um número que apenas tinha sido alcançado em Helsínquia1952.

As missões mais pequenas, com somente seis atletas, as únicas com menos de 10, ocorreram na estreia, em Estocolmo1912, e em Los Angeles1932.

ATLETAS HOMENS/MULHERES JOGOS OLÍMPICOS

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107 (83/24) Atlanta1996

101 (77/24) Barcelona1992

92 (62/30) Rio2016

92 (56/36) Tóquio2020

82 (65/17) Atenas2004

77 (51/26) Pequim2008

76 (44/32) Londres2012

71 (68/03) Helsíquia1952

66 (55/11) Seul1996

65 (60/05) Roma1960

62 (49/13) Sydney2000

46 (46/--) Londres1948

39 (39/--) Amesterdão1928

38 (29/09) Los Angeles1984

29 (29/--) Munique1972

20 (19/01) Tóquio1964

20 (19/01) México1968

19 (19/--) Montreal1976

19 (19/--) Berlim1936

13 (13/--) Antuérpia1920

12 (12/--) Melbourne1956

11 (10/01) Moscovo1980

6 (06(--) Estocolmo1912

6 (06/--) Los Angeles1932