O sucesso que a equipa da Toyota está a protagonizar no Rali de Portugal tem também um contributo português, uma vez que há dois lusos na estrutura da marca nipónica.

Rui Soares, de 33 anos, natural de Aguiar da Beira, é um dos engenheiros responsáveis pelo Yaris WRC de Kris Meek, enquanto Marco Moreira, de 43, de Montalegre, é o mecânico chefe do atual líder do rali, Ott Tanak.

Ambos partilham o gosto de, por estes dias, estarem "de regresso casa", mas também reconhecem uma "responsabilidade acrescida" para que tudo corra bem neste rali.

"O nosso trabalho exige sempre muita responsabilidade, pois falharmos alguma coisa mal o piloto vai-nos ligar. Mas claro que há sempre mais alguma ansiedade para defendermos o nosso país, pois seria bom levar a bandeira portuguesa ao pódio. Acaba por haver um pouco de maior pressão", explicou à Lusa Rui Soares.

Para libertar um pouco dessa responsabilidade, surgem as visitas da família e dos amigos, mesmo que o tempo disponível não seja muito, e o reencontro com a gastronomia nacional.

"Somos quase uns embaixadores de Portugal por estes dias, porque o resto da equipa está sempre a perguntar onde devem ir comer, ou o que visitar. Já aconselhamos as caves do Vinho do Porto e as visitas ao Douro", partilhou Rui Soares.

Ainda assim, com o grande volume de trabalho, e já depois do "obrigatório café e pastel de nata no aeroporto", nem sempre há tempo suficiente para provar toda a gastronomia lusa.

"Como chegamos com alguns dias de antecedência, vamos aproveitando para ‘matar saudades' do bacalhau, do polvo à lagareiro, da francesinha ou do cabrito. Mas nem sempre há tempo para tudo, ainda me falta um arroz de cabidela", disse, sorridente, Marco Moreira.

O mecânico, que conta no seu currículo com vários títulos no mundial de ralis ao serviço da Volkswagen, considerou que as competências técnicas dos vários portugueses que trabalham nas diferentes equipas do WRC "são tão boas ou melhores do que as dos estrangeiros", enaltecendo até algo que "está nos genes" lusos.

"É verdade, temos a tal capacidade do desenrasque, se bem que a este nível não há muito que inventar. Mas quando surge uma situação onde é preciso ser mais criativo, os portugueses sobressaem e têm sempre uma ideia para resolver", partilhou o mecânico de Montalegre.

Mesmo estando habituados aos longos períodos fora de casa, há sempre o sentimento de saudade, algo que vai sendo colmatado com a realização pessoal e também com um incentivo financeiro.

"Os salários que se pagam nestas equipas estrangeiras são mais elevados do que se recebe em Portugal, mas, por outro lado, temos de estar fora do nosso país. É também uma questão de ambição profissional, de estar ao trabalhar ao mais alto nível neste desporto", vincou Marco Moreira.

Para todos os jovens portugueses que também ambicionam, um dia, integrar os grandes projetos no campeonato do mundo de ralis, Ricardo Soares e Marco Moreira não hesitam em deixam um conselho.

"Que sonhem, não percam a ambição de querer chegar mais longe, mesmo quando as dificuldades surgem. Os portugueses são bons no que fazem, e se nós chegamos a este nível, sem ‘padrinhos', todos os que tenham capacidade, gosto e se esforcem também o podem fazer", partilharam.