
O Famalicão está a uma vitória de garantir o regresso à Primeira Liga, 25 anos depois da última presença entre os grandes do futebol português. Os famalicenses bateram o Benfica B no Seixal por 3-1, na 30.ª ronda da II Liga. A formação nortenha é segundo da II Liga com 60 pontos, menos quatro que o já promovido Paços de Ferreira, mas com nove pontos de vantagem sobre o Estoril-Praia, terceiro, quando faltam disputar apenas quatro jornadas.
O regresso ao escalão maior do futebol português poderá ser confirmado já no próximo fim-de-semana, se os famalicenses baterem o Vitória de Guimarães B, último colocado, e o Estoril tropeçar na visita ao Penafiel. Será a sétima presença na elite do futebol nacional.
Poucos jogadores do atual plantel são capazes de terem memória desses dias de Primeira Liga do Famalicão. Em 1993/1994, época da última presença do Famalicão entre os grandes do futebol português, o central Ricardo tinha 13 anos, Luís Rocha contava apenas com oito anos. De resto, muitos dos jogadores que formam o plantel às ordens de Carlos Pinho nem eram nascidos. O treinador, na altura com 21 anos, fazia parte do plantel do Paços de Ferreira.
A descida em 1993/1994 foi confirmada com uma derrota em Alvalade frente ao Sporting por 3-0, com dois de Paulo Torres e um de Figo, a três jornadas do fim da época na I Liga. A equipa comandada pelo brasileiro Abel Braga ia fazer companhia ao Estoril, formação que também já estava despromovido. Terminava assim, de forma inglória, a sexta participação na Primeira Liga, e iniciava-se uma crise desportiva que atiraria o emblema de Vila Nova de Famalicão para o futebol distrital em 2007/08, onde ficaria apenas uma temporada. Com mais baixos que altos, aos poucos, o Futebol Clube de Famalicão foi subindo, gradualmente, num caminho tortuoso, até regressar ao futebol profissional.

Dois anos após descer para a Segunda Liga, o Famalicão não resistiu e voltou a cair de divisão, ao ficar no 17.º lugar em 1995/96. Entre os escalões distritais, Segunda Divisão B, Campeonato Nacional de Seniores, foram 19 anos até voltar ao futebol profissional. Aconteceu na época 2014/2015, depois de uma vitória caseira frente ao Lusitano de Vildemoinhos por 1-0, na 12.ª e antepenúltima jornada da fase de subida da zona norte do Campeonato Nacional de Seniores.
O emblema, que teve jogadores como Tanta, Ben-Hur, Lula, Carlos Secretário, Cacioli, Menad, Chico Faria e Mihtarsky, conta atualmente com outros nomes: a segurança na baliza de Rodrigo Defendi e na defesa do veterano Ricardo, de 38 anos, a força do médio Pathé Ciss e nos golos do avançado brasileiro Walterson.
A festa da subida não será feita em campo já na próxima ronda, uma vez que a formação orientada por Carlos Pinho recebe a equipa do Vitória de Guimarães B ás 11h15 de domingo e o Estoril joga em casa do Penafiel às 16 horas. Nesta altura há nove pontos a separar as duas formações, quando faltam disputar 12 pontos. Depois do próximo fim-de-semana, nas derradeiras três jornadas o Famalicão joga fora com o Varzim e o Estoril e recebe a Oliveirense.
A confirmar-se a subida, esta será mais que justa, já que o Famalicão e o Paços de Ferreira andaram sempre lado a lado nos dois primeiros lugares da II Liga durante toda a época. A equipa resistiu a uma 'chicotada psicológica' em março de 2018, quando o Carlos Pinho foi substituir Sérgio Vieira, que se demitiu depois da derrota com o Sp. Covilhã.
Nos 30 jogos já disputados na II Liga, o emblema nortenho soma 18 vitórias, seis empates e seis derrotas, 45 golos marcados e 28 sofridos.
O tão desejado regresso à elite do futebol nacional pode ser carimbado já no domingo. Certeza só uma: haverá nova enchente no Estádio Municipal 22 de Junho, tal como aconteceu em muitos jogos do clube da Associação de Futebol de Braga esta época.
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