A audiência pedida pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), na sequência de declarações do antigo presidente do organismo Fernando Gomes, que lidera o Comité Olímpico de Portugal (COP), foi agendada para quinta-feira, confirmou hoje fonte do Governo.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Secretária de Estado do Desporto confirmou o agendamento do encontro, pedido na segunda-feira, após uma reunião de urgência da direção da FPF.

A direção do organismo federativo vai reunir-se com o ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, e com secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, detalhou a mesma fonte.

Na segunda-feira, direção da FPF anunciou o pedido de uma “audiência com caráter de urgência ao Governo para avaliação dos impactos face aos compromissos assumidos, nomeadamente, a candidatura à organização do Europeu feminino de 2029 e a organização do Campeonato do Mundo de 2030”.

Esta solicitação decorreu da reunião da direção da FPF, também de urgência, face ao que o organismo considerou “gravíssimas insinuações” de Fernando Gomes, para analisar e avaliar as “consequências das insinuações” do antigo líder, “num momento que antecede as eleições para o Comité Executivo da UEFA”.

Pedro Proença concorria ao posto e, na quinta-feira, acabou por ser o candidato com menos votos, sete, entre os 11 candidatos aos sete lugares para membros masculinos para os mandatos de quatro anos, quando tentava suceder a Fernando Gomes, que esteve no Comité Executivo entre 2013 e 2025.

No sábado, o presidente da FPF, Pedro Proença, revelou ter o apoio de Fernando Gomes na candidatura ao Comité Executivo da UEFA, algo que, horas mais tarde, o recém-eleito líder do COP negou, em carta enviada aos presidentes das 55 federações europeias de futebol.

“Foi a maior das surpresas tomar conhecimento de uma carta enviada pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, na qual o meu nome é mencionado sem consentimento prévio ou mesmo informação”, lia-se na missiva de Fernando Gomes, que liderou a FPF durante 13 anos.

Na mesma carta, o antecessor de Pedro Proença confessou não partilhar “uma visão comum para o futebol e o desporto” com o atual presidente da FPF.

“Pedro Proença escolheu o caminho da destruição do legado que eu e a minha equipa construímos ao longo de 13 anos, através de decisões e insinuações públicas que visam atacar o nosso bom nome e que, como se verá, são completamente infundadas”, referia o documento.

Este diferendo foi um dos primeiros episódios visíveis da divergência entre Proença e Gomes, que até há pouco tempo trocavam publicamente palavras elogiosas mutuamente, ocorrido poucos dias depois de a FPF ter sido alvo de buscas pela Polícia Judiciária (PJ), no passado dia 25 de março.

Em causa estavam suspeitas dos crimes de recebimento indevido de vantagem, corrupção, participação económica em negócio e fraude fiscal, na venda da antiga sede federativa, tendo, posteriormente, Proença anunciado a extensão da auditoria interna referente ao mandato 2020-2024 anterior (2016-2020), também liderado por Gomes.

No seu discurso por ocasião do 111.º aniversário da FPF, Proença recordou Gomes, pela sua importância na história do organismo, apontando “o passado como ponto de partida para o futuro”.

"Lutaremos por princípios, por valores que não têm preço. Seremos intransigentes na seriedade de procedimentos, inflexíveis na luta da credibilidade desta instituição, irredutíveis na transparência e na integridade da gestão de uma organização como a FPF", afirmou, então, Proença.