O treinador que conduziu o Sporting ao título nacional de voleibol, Hugo Silva, considerou hoje a conquista do troféu, frente ao “melhor Benfica de sempre”, o culminar de “uma época de sonho” e elogiou o “fenómeno” Miguel Maia.

“Partir de um ano zero, uma vez que o Sporting estava há 23 anos sem voleibol e chegar ao título nacional é a concretização de um sonho”, disse à agência Lusa Hugo Silva, considerando que a confiança em si depositada para desenvolver o projeto “foi um fator de motivação muito grande”.

O treinador desconhece ainda o seu futuro, dado que ainda não tem “nada em concreto”, além do interesse manifestado na sua continuidade no clube e, terminada a época nos ‘leões’, já reassumiu o comando da seleção nacional.

“A única coisa que sei, neste momento, é que voltei à federação, para preparar os próximos compromissos da seleção. Há interesse de ambas as partes, mas teremos de conversar. Quero ter o meu foco na seleção, pois temos muito trabalho pela frente”, disse.

O treinador admitiu que “o Sporting vai querer entrar noutras competições”, nomeadamente nas competições europeias e não escondeu que “seria excelente poder competir na Liga dos Campeões, embora o caderno de encargos da prova seja muito alto”: "Há essa ambição, mas tem de ser algo bem ponderado".

De entre os jogadores que despertaram o interesse de clubes de outros campeonatos contam-se o australiano Luke Smith, o colombiano Liberman Agámez e o norte-americano Garrett Muagututia, que dificilmente permanecerão em Alvalade.

Hugo Silva recordou que o Sporting, quando decidiu regressar ao voleibol, ergueu um projeto de raiz, procurando “construir as coisas o mais rápido possível” e destacou a “estrutura inovadora e inédita de trabalhar longe de Alvalade, uma vez que a preparação da equipa decorreu em Fiães”.

“Mostramos que é perfeitamente viável trabalhar longe da casa mãe”, disse Hugo Silva, justificando esta opção da autoria do presidente Bruno de Carvalho, não só pelo facto de a maior parte dos jogadores ser do norte, mas também por gestão financeira.

De acordo com Hugo Silva, e “ao contrário do que as pessoas possam pensar, o orçamento do Sporting não era alto, para metade do Benfica, e o clube teve de colmatar isso mesmo com soluções alternativas para erguer a melhor equipa possível”.

“Mesmo sendo algo muito estranho, estar longe de Alvalade, foi uma forma de mostrar que é possível. Que não é inviável pôr uma modalidade a trabalhar longe da casa mãe. Foi fantástico e foi uma ideia excelente por parte do presidente”, acrescentou.

Hugo Silva destacou a “época incrível” que o Sporting fez, com uma só derrota na fase regular, frente ao Sporting de Espinho, e considerou que o momento-chave foi, ainda no início da época, quando surgiram rumores de que não continuaria em Alvalade.

“Esse momento foi o clique para mim e para a equipa. Inventaram uma história em que eu me tinha despedido ou que o presidente me tinha despedido e que já não fazia parte do Sporting e que coincidiu com a única derrota da fase regular, com o Sporting Espinho”, explicou o treinador.

De acordo com Hugo Silva, esse momento, não a derrota em si – com o Sporting de Espinho (3-0), em Alvalade, para a quinta jornada -, mas os rumores do despedimento, serviu para unir a equipa em torno do objetivo comum de lutar pelo título.

“O Sporting estava a incomodar muita gente e já queriam matar o Sporting logo na primeira derrota. Isso uniu o grupo e fez com que nós só tivéssemos um foco, que era provar a toda a gente que o Sporting veio para ficar e que tinha que ser campeão. E foi isso que aconteceu”, referiu.

O treinador considerou ainda que se não fosse a paragem no campeonato [entre fases e para a Taça de Portugal], a equipa 'leonina', com os níveis que estava a apresentar em jogo, podia ter passado por menos dificuldades daquelas que passou.

“Foi incrível, mas ainda bem que foi assim, porque as coisas quando são sofridas acabam por ter um sabor muito mais marcante. Foi incrível para o voleibol, foi incrível para o Sporting e foi muito bom para mim”, defendeu Hugo Silva.

Um dos principais obreiros do título dos ‘leões’ foi o distribuidor Miguel Maia, que regressou a Alvalade 26 anos depois, e que o treinador Hugo Silva rotulou de “fenómeno”.

“Como é que é possível com meio século de vida fazer o que ele faz”, questionou.

“Acho que isso torna ainda mais histórico e mais incrível este título. Como é que é possível jogar com um passador com quase 50 anos e conseguirmos ser campeões com o melhor Benfica de sempre. Torna a conquista incrível e impensável”, frisou.

O treinador recordou que teve a sorte e o prazer de trabalhar, na sua curta carreira de três anos como treinador principal, com Miguel Maia, com quem partilhou o título conquistado pelo Sporting de Espinho, em 2012/13, e o ‘vice’ na época seguinte.

“No regresso do Sporting à competição, com o Miguel Maia novamente, no clube do coração, e ser campeão, é o sonho de qualquer treinador. Passar por desafios destes da forma como ultrapassei é incrível, muito bom”, rematou.